Europa mostra força de satélite no MWC2025: AST SpaceMobile cria empresa com Vodafone e Eutelsat pode substituir Starlink na Ucrânia

As decisões são baseadas em razões comerciais e de posicionamento global, sem esquecer a incessante tensão política entre Estados Unidos e China.

A indústria de satélites está se desenvolvendo fortemente atualmente na Europa. A AST SpaceMobile cruzou o oceano e começará a vender serviços de satélite direto para celular junto com a Vodafone. Até agora, a operadora havia feito acordos desse tipo nos Estados Unidos, mas o marco do MWC2025 em Barcelona serviu para avançar com um acordo que permitirá a extensão dos serviços de banda larga neste continente. Por outro lado, a empresa francesa Eutelsat vem apresentando forte alta no mercado de ações ultimamente e pode substituir os serviços que a Starlink está fornecendo na Ucrânia. A questão geopolítica é tensa e a Europa quer ter sua própria marca na segurança das comunicações.

O acordo entre a AST SpaceMobile e a Vodafone criará uma nova empresa, a SatCo, e permitirá que os serviços de banda larga sejam estendidos a lugares onde a fibra óptica ainda não chegou. A Vodafone está presente na Espanha, Itália, Alemanha, República Tcheca, Grécia, Portugal, Romênia e Reino Unido.

A SatCo distribuirá exclusivamente os serviços de satélite da AST SpaceMobile para operadoras de redes móveis europeias sob um acordo turnkey. Isso incluirá gerenciamento completo de rede e um centro de operações baseado na Europa. Isso é para aproveitar a experiência em engenharia da Vodafone. Além disso, a SatCo construirá e gerenciará uma rede de estações terrestres para fornecer serviços de backhaul de operadoras móveis europeias para a constelação de satélites de órbita terrestre baixa (LEO) da AST SpaceMobile.

Os satélites AST SpaceMobile operarão como unidades de rádio remotas, enquanto a capacidade da rede principal permanecerá sob o controle das operadoras de telefonia móvel. O objetivo é garantir a soberania digital europeia e a segurança das comunicações. A SatCo terá sede e será administrada na Europa, como forma de reforçar o compromisso do continente com a autonomia tecnológica. Há um mês, a Vodafone conseguiu fazer a primeira videochamada espacial usando celulares convencionais.

Estratégias de longo prazo

O acordo entre a AST SpaceMobile e a Vodafone não é uma coincidência. A própria Vodafone é uma das investidoras da operadora de satélite, juntamente com a Verizon e a AT&T. Em setembro do ano passado, lançou seus primeiros cinco satélites, chamados BlueBird, que estão sendo usados ​​em testes beta com operadoras como as duas operadoras dos EUA. Espera-se que a constelação seja composta por 40 a 60 satélites para fornecer cobertura contínua nos Estados Unidos, o que prevê um projeto de larga escala para fazer o mesmo na Europa.

O lançamento desta empresa será um concorrente da Starlink e dos serviços que ela oferece na Europa por meio de operadoras como a Telefónica. Este acordo também destaca a crescente tensão geopolítica em nível global, onde a Europa quer ter mais voz na questão tecnológica. E desta vez, o MWC2025 está sendo palco de mensagens e propostas de endosso, tanto de operadoras europeias quanto de governos estrangeiros. A mensagem dada pelo presidente da FCC neste contexto não deve passar despercebida.

É por isso que a alta das ações da Eutelsat, dona da OneWeb, considerada a substituta da Starlink no fornecimento de serviços de conectividade na Ucrânia, também assumiu particular importância. A possibilidade de os Estados Unidos suspenderem a ajuda militar ao país tem gerado especulações sobre a busca por alternativas europeias para garantir a conectividade na região.

Já faz algum tempo que a Eutelsat está em negociações com governos europeus para expandir seus serviços de conectividade via satélite na Ucrânia. Ela já implantou vários terminais naquela área e permanece ativa na região desde o início do conflito. A combinação dos satélites OneWeb em órbita baixa da Terra e dos satélites geoestacionários Eutelsat pode oferecer uma solução robusta para as necessidades de comunicação da Ucrânia, especialmente em operações militares que dependem de drones e outras tecnologias avançadas.

Isso fez com que as ações da empresa subissem mais de 60% na terça-feira, continuando uma tendência de alta que começou no início da semana. Este aumento reflete a confiança dos investidores na capacidade da Eutelsat de capitalizar oportunidades nos mercados europeus de defesa e conectividade por satélite.

Em busca de um lugar de peso

Esses desenvolvimentos são um sinal da determinação da Europa em alcançar sua própria autonomia no campo das comunicações e da tecnologia espacial. A colaboração entre a Vodafone e a AST SpaceMobile para criar a SatCo representa um passo significativo para fornecer serviços de conectividade via satélite direta ao dispositivo em toda a Europa. Esta iniciativa tem o potencial de colmatar as lacunas de cobertura existentes e garantir que os usuários, independentemente de sua localização, tenham acesso a serviços de banda larga móvel.

Enquanto isso, os esforços da Eutelsat para expandir seus serviços na Ucrânia destacam a importância estratégica da conectividade via satélite em situações de conflito e a necessidade de soluções de comunicação resilientes. Se a Starlink for substituída pela OneWeb, haverá implicações comerciais e geopolíticas, uma mensagem que já é ouvida há muito tempo na Comissão Europeia e entre os países em particular.

Não podemos esquecer, além disso, a reconfiguração que está ocorrendo na Espanha, onde a Indra também está fortemente posicionada com a Hispasat, operadora que será responsável pelo design da constelação Iris2, outro esforço europeu para garantir a segurança nas comunicações destinadas à defesa dos países. A Indra faz sua estreia no MWC2025 e reforça a aposta da Espanha neste setor. A Cellnex, o CaixaBank e a própria Telefónica, além de mostrarem o que estão fazendo no campo tecnológico, também mostram posição para se fortalecerem no concerto europeu e fazerem parte do fortalecimento que a Europa busca em meio à tensão constante entre Estados Unidos e China.

Apresentado por
Andrea Catalano é o editor-chefe do TeleSemana.com. Andrea é jornalista e formada em Comunicação Social pela Universidade Nacional de Cuyo. Há mais de 20 anos ele acompanha o setor de tecnologia da informação e comunicação e seu impacto na economia e na sociedade. Ao longo de sua carreira, ele trabalhou na imprensa, na internet, no rádio e na televisão.

Faça uma pergunta

Senha perdida

Por favor, digite seu nome de usuário ou endereço de e-mail. Você receberá um link para criar uma nova senha por email.