A GSMA está muito ativa com anúncios nesta semana devido à chegada do MWC25 na próxima semana. Entre os anúncios, não poderia faltar um relacionado à sustentabilidade. A crescente inclinação dos consumidores por reparar e reutilizar telefones móveis está impulsionando um mercado em expansão para dispositivos e serviços “circulares”, que pode ultrapassar 150 bilhões de dólares até 2027, segundo um novo relatório publicado pela associação.
À medida que os líderes tecnológicos se preparam para o MWC25 Barcelona, diz o comunicado, a GSMA apresentou seu relatório “Rethinking Mobile Phones: the Business Case for Circularity”. Este estudo, baseado em pesquisas com mais de 10.000 usuários de telefones móveis em 26 países, revela que a evolução da mentalidade dos consumidores, as mudanças regulatórias e o crescente impacto dos resíduos eletrônicos estão desafiando o modelo de negócios linear tradicional da indústria móvel.
Segundo a GSMA, mais de 70 por cento dos consumidores entrevistados afirmaram estar dispostos a pagar mais por dispositivos ecológicos, o que destaca a oportunidade para que a indústria móvel adote a circularidade não apenas como uma iniciativa ambiental, mas também como uma estratégia comercial lucrativa.
O relatório da GSMA também aponta que 90 por cento das 31 operadoras pesquisadas ao redor do mundo já implementaram pelo menos um modelo de negócios circular, com a recondicionamento e a gestão de resíduos eletrônicos sendo as iniciativas mais comuns. No entanto, o estudo indica que ainda há muito a ser feito: 80 por cento das operadoras com programas de recondicionamento acreditam que há um grande potencial de expansão. Entre as estratégias com maior margem de crescimento, a GSMA menciona o desenvolvimento de ofertas de leasing, renovação e atualização de dispositivos, o que poderia gerar novas fontes de receita e fortalecer a fidelidade dos clientes.
Steven Moore, diretor de ação climática da GSMA, destaca que a crescente demanda por telefones ecológicos e recondicionados representa uma grande oportunidade para a indústria móvel. Segundo Moore, desbloquear esse potencial requer uma forte colaboração entre fabricantes, operadoras, recondicionadores, reparadores e recicladores, apoiada por políticas governamentais que incentivem esses modelos de negócios.
As vendas de novos dispositivos diminuíram nos últimos anos, à medida que os consumidores mantêm seus telefones por mais tempo e recorrem cada vez mais ao mercado de segunda mão. A GSMA aponta que essa tendência reflete a busca por economia, acesso a dispositivos de alto padrão e a redução do impacto ambiental.
Segundo a GSMA, 85 por cento dos consumidores globais consideram a sustentabilidade um fator essencial na hora de comprar um dispositivo, superando critérios como estética (73 por cento) e capacidades de IA (67 por cento). Na França, um em cada seis telefones vendidos no ano passado foi recondicionado, enquanto na Índia, mais da metade dos consumidores entrevistados indicaram que considerariam comprar um dispositivo recondicionado em sua próxima aquisição.
O relatório da GSMA argumenta que a circularidade não é apenas uma questão ambiental, mas também uma estratégia de negócios viável. Com um mercado de dispositivos recondicionados e serviços de reparo projetado para ultrapassar 150 bilhões de dólares até 2027, a GSMA destaca novas oportunidades de receita para fabricantes e operadoras. Além disso, a produção de dispositivos mais duráveis e reparáveis pode melhorar a satisfação do cliente, fortalecer a imagem da marca e atrair consumidores e investidores com consciência ecológica, afirma a GSMA.
Além dos benefícios financeiros, a GSMA enfatiza que a circularidade fortalece as economias locais, reduz a dependência da mineração e das importações, amplia o acesso digital e gera novas oportunidades de emprego. Além dos dispositivos, a GSMA afirma ter desenvolvido um marketplace online para que as operadoras revendam e reutilizem equipamentos de rede, com mais de 40 operadoras já utilizando essa plataforma, gerando economia financeira e redução de emissões de carbono.
Segundo as estimativas da GSMA, existem entre 5 e 10 bilhões de dispositivos inutilizados no mundo, acumulando 100.000 toneladas de cobre, 7 milhões de onças de ouro e 1 milhão de onças de paládio, totalizando cerca de 20 bilhões de dólares em valor. A GSMA destaca que, diante da crescente demanda por minerais críticos, dispositivos eletrônicos antigos estão se tornando uma importante fonte de materiais em diversos países.
Em 2024, mais de 1,2 bilhão de novos smartphones foram vendidos, gerando mais de 60 milhões de toneladas de CO2 em sua fabricação — um volume equivalente às emissões anuais de países como Marrocos ou Romênia. De acordo com a ONU, os resíduos eletrônicos geram custos externos anuais de 78 bilhões de dólares em danos ambientais e à saúde. A GSMA aponta que reparar e recondicionar dispositivos móveis poderia reduzir drasticamente esses impactos, com emissões de carbono entre 80 e 90 por cento inferiores às da fabricação de novos dispositivos.
Operadoras como Telefónica, Orange, Deutsche Telekom (DT), Vodafone e KDDI já adotaram estratégias de circularidade, enquanto fabricantes como Samsung, Apple e Fairphone estão implementando cadeias de suprimentos mais ecológicas e designs ecoeficientes para seus dispositivos.
Por fim, a GSMA destaca que os governos estão implementando políticas para incentivar a circularidade. Por exemplo, a União Europeia (UE) introduzirá novas regulamentações sobre reparabilidade e reciclagem ainda este ano, enquanto países como Estados Unidos, Canadá, Brasil e Índia também estão promovendo estratégias de reutilização e reparo, consolidando uma visão de sustentabilidade de longo prazo centrada na economia circular.